quinta-feira, 13 de outubro de 2011

We love 77


Numa época que os comentadores oficiais apelidam de “crise”, podemos assistir, nos mais diversos planos da existência, que não o meramente económico e político, alterações paradigmáticas significativas, na forma como Boaventura Sousa Santos as descreveu, já vai para mais de uma década, no seu Discurso sobre as ciências. Tem esse pensamento as premissas de que: 1º) todo conhecimento científico-natural é científico-social; 2º) todo conhecimento é local e total; 3º) todo conhecimento é autoconhecimento; 4º) todo conhecimento científico visa constituir-se em senso comum. Sardine e Tobleroni, na sua exposição We love 77, estão nos interstícios desse devir.

Numa primeira abordagem, na exposição patente no Círculo das Artes Plásticas de Coimbra, os autores apresentam diversas leituras da atitude punk, tendo por suporte as imagens iconográficas, consagradas pela história, de 77 bandas que se acoplam a este movimento. Contudo, a exposição não se prende a uma cinestesia gráfica da agressividade dos sons e das suas mensagens, tão necessários nos nossos dias. Para além dela, programam-se projecções de filmes e concertos.

Na totalidade do programa apresentado, à luz do que se manifestou na sua inauguração, a exposição We love 77, procura o ressuscitar da irreverência crítica, nas diversas linguagens criativas possíveis. Coimbra, parece acordar de um sono leve; leito onde os mesmos agentes lutam por fazer ouvir o seu grito, este que tão bem se ouve por estes dias.

A não perder. Programa em



http://welove77.wordpress.com/we-love-77-festival/