quinta-feira, 18 de abril de 2013

Gin

Ter uma garrafa de gin adiada no esconderijo das dores inóspitas, como quem testa o limite da pressão da panela ao lume. Vergar-me para olhar para ela,
não como quem a reverencía, mas por ser necessário, dado o local onde repousa inquieta.
Então, pensar – ou continuar a pensar – insistentemente sobre a ideia de Liberdadade, na catadupa de silêncios que mordem os lábios e se empurram pela garganta a custo. Pontualmente, soltar umas palavras isoladas; uns indecisos
Pois
e uns lacónicos
Vai-te foder
e o braço ergue-se a agarrar o recipiente translúcido, enquanto os dedos doutra mão lhe rodam a tampa; o desvendar da potencial verdade suprema, ou tão só permitir que o odor fresco do alívio aplaque os sentidos.
Tomar uma pose vertical de segurança e tomá-la sofregamente, com o ímpeto de quem tem sede de tudo.
O outro lado...

Sem comentários: