domingo, 21 de abril de 2013

Tom, espera...

Não sei amar por entre as gotas de chuva, sem que cada uma delas que me toca , fria, na pele, me desperte os tormentos da distância, as angústias do dever a cumprir que obrigam a estar longe. Por vezes, a solidão deixa de ser medo quando é o tempo de espera por estar de novo ao teu lado; quando todas as montanhas existenciais se escalam aos saltos e todas as dúvidas são enclaves onde explodem fronteiras para que os continentes se unam, a preencher os abismos tenebrosos do futuro adiado. Mas, noutros momentos, como agora, o sonho atravessa pontes nuas pelo meio dos temporais e a lua surge repentina, em calmias extemporâneas, para rir sobre a tormenta que se avizinha.
A raiva sobre a falta de força para esbracejar oceanos rumo a ti;
o rancor do frio polar que se sobrevoa no aninhar profundo nos lençois;
o pavor sobre todos esses monstros desconhecidos que se podem inventar pelo meio das sombras.
O teu nome, sílabas de neblinas coloridas onde flutuo, sobre um mar tempestuoso onde todas as Moby Dick do meu poder me esquartejerão o desejo. É quando o ânimo se descai pelos ombros e não tenho o teu cheiro como o único bálsamo que me pode salvar de tudo o que não existe mas se sente. Ao atracar nos portos mortos encontro bares cheios de solidões, copos a fingirem as curvas do teu corpo na ponta dos meus dedos, histórias sempre iguais, como me soam as minhas
agora
agora
agora
aqui, no ancoradouro das almas frias que procuram a coragem contra as gotas de chuva.
Sou Martin Eden a ouvir comícios políticos de clandestinos – o lado certo – como quem procura o sono profundo da ausência de ânsia sobre as coisas do mundo, sabendo cada vez mais, a cada segundo, que a sua verdade jaz na placidez do fundo do mar.
O Amor é, de tudo, o que se cria mais facilmente; basta ter os pianos certos na cabeça, quando as folhas esvoaçam e o tempo finge ser Outono e os trompetes anunciam todas as coisas que ainda se não inventaram.
Que se lixe! Tem de ser! Abraçar os segundos como os meus beijos registam o mapa do teu corpo, como quem chega à alma dos outros a dançar tango consigo mesmo num sambódremo de estupfacção e os amigos balançam na corda bamba do esquecimento fácil sobre tudo o que é importante. Pois, a esperança vem sempre dos metais de uma big band, ou das palavras dos doidos, que têm todo o peso da história nos seus olhos, da sua fome simples por umas calorias que permitam sonhar mais e mais...
Tom, espera...

Sem comentários: